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Manifesto Espaço Auryn Manifesto que tem como objetivo expor a visão do Espaço Auryn dentro do cenário mundial moderno e convocar os interessados a participar de um projeto planetário de transformação. “Te advirto, quem quer que sejas, oh tu! Que desejas sondar os mistérios da natureza. Como esperas encontrar outras excelências se ignoras as excelências de tua própria casa? Em ti está oculto o tesouro dos tesouros. Oh homem! Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses.” ( Templo de Delphos, Grécia antiga ) “Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.” ( Carta da Terra ) "O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão os teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino". * * * A humanidade de hoje atingiu um momento crucial na definição do seu destino. Estamos finalmente chegando ao ápice das possibilidades de reverter o processo de degradação de nosso planeta. O ser humano cada vez mais busca os meios disponíveis para lidar com o atual momento planetário. Notamos que essa busca por soluções ainda não se apresentou suficiente para a resolução das principais questões que a humanidade enfrenta nos tempos atuais. Para muitos, este é o pior momento que a humanidade já atravessou, onde as guerras, as disputas por poder, a degradação ambiental, as doenças e a calamidades sociais vão aos poucos desafiando o bem estar social, a paz e a felicidade dos homens. Para outros, este quadro negativo é o cenário ideal para o desenvolvimento das mais elevadas faculdades que o ser humano pode despertar. Esta fase global é o terreno fértil para a possibilidade de crescimento humano, de superação de nossos limites, e da busca por um sentido universal da vida e do Cosmos. Sem dúvida alguma, os membros do Espaço Auryn concordam inteiramente com a segunda posição. Consideramos o momento atual como a era mais propícia para o crescimento e o despertar de nosso interior e das capacidades mais elevadas da alma humana. Dentro de uma situação de conflitos e negatividades, pode o homem contemplar as manchas que ele conserva em seu interior, e com a observação de si mesmo, pode conhecer-se melhor e a partir disto buscar aquilo que jaz oculto em seu ser. Em todas as épocas e em diversas culturas, sempre existiram indivíduos que estavam muito a frente de seu tempo e que despertaram em maior ou menor grau as faculdades mais elevadas da consciência humana. Essas pessoas foram responsáveis por mudanças profundas em toda a vida humana. Estes seres foram identificados por nomes diferentes em diferentes culturas e épocas. Na Índia antiga, ele foram no passado chamados de rishis, e hoje são chamados de mahatmas, que significa "grande alma". No Budismo, eles são conhecidos como bodhisattwas, que são aqueles que renunciam ao nirvana para ajudar a humanidade a também atingir o nirvana. No Cristianismo eles são chamados de santos. No Islamismo, eles recebem o nome de profetas, na Teosofia eles são chamados de "Mestres" ou "Adeptos". Na tradição da Yoga, eles são chamados simplesmente de “yogues”. Para os ocidentais, alguns são conhecidos como sábios, para as religiões, eles são seres sobre-humanos e divinos, que vieram a Terra com uma missão de paz, fraternidade e evolução. No passado, eles eram conhecidos como deuses, anjos e outras denominações. Os seres humanos têm uma dívida perpétua com estes sábios da humanidade. Os grandes seres que passaram pela Terra, como Jesus, Buddha, Krishna, Moisés, Maomé, Zoroastro, Mitra, Hermes, Rama, Lao Tsé, Confúcio, e tanto outros, contribuíram para impulsionar a evolução do pensamento humano, tanto com suas palavras, quanto com seu exemplo de vida. Tanto nas antigas tradições e épocas, a humanidade sempre produziu seres excepcionais, que reuniam as qualidades mais profundas da alma humana. Como exemplo, podemos citar Siddharta Gautama, mais conhecido como Buda, e o seu famoso "caminho do meio", ou o caminho que visa fugir dos extremos ou opostos como forma de encontrar a paz. Temos Jesus, o personagem mais importante da História do Ocidente, que ensinou a simplicidade e profundidade do "ama teu próximo como a ti mesmo". Confúcio, grande mestre chinês, tem como principal ensinamento o princípio que diz "Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você". Mahatma Gandhi, líder da militância indiana que conseguiu a libertação de seu pais do domínio Inglês, pregava o método da resistência pacífica, que chamou de não-violência. Quando observamos esses seres, podemos nos espelhar em seus atos e acreditar que se eles puderam vencer todas as adversidades e se tornarem grandes seres humanos, por que nós também não podemos? Nós, membros do Espaço Auryn, temos muita confiança no potencial humano e temos fé que a humanidade encontrará as soluções para os principais problemas que enfrenta. Aqui vale a máxima de Jesus quando diz: "Buscai e encontrareis. Batei na porta e ela se abrir-vos-á. Pedi e recebereis, pois todo aquele que pede, recebe. E todo aquele que busca, encontra". Ainda dentro disto, cabe a máxima de Buddha quando diz: "Faça de ti o teu próprio suporte, o teu próprio refúgio". Sabemos também que nada ocorrerá sem esforço. A superação de nossa natureza inferior é essencial no processo de conscientização que devemos buscar na superação de nossos principais obstáculos. Não é possível que o homem resolva os conflitos exteriores, internacionais ou de cada país, sem que ele perceba que estas questões são apenas um reflexo ou uma projeção daquilo que ocorre em seu próprio interior. E é dentro de si que ele deve procurar dissolver as chagas que o impedem de acordar para a vida. Concordamos plenamente com Mahatma Gandhi quando ele propõe: "Seja tu mesmo a mudança que queres ver no mundo". Também diz o Dalai Lama: "Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. O Espaço Auryn nasce dentro deste contexto atual, onde os seres humanos deverão decidir sobre os rumos e os destinos que a humanidade tomará. É preciso que se tome consciência de que é possível uma transformação em nível planetário. O planeta Terra é um todo único e harmonioso e tanto no passado como no presente ele foi e vem sendo considerado como um ser vivo, também chamado de Gaia. No entanto, a ecologia acabou por tornar-se um tema um pouco desgastado na atualidade, pois apesar de sua importância e de tanto que já foi discutida, muito pouco tem sido feito para realizar as soluções que são necessárias. Os problemas do planeta são crônicos e muito ainda precisa ser feito nesse campo. O ser humano buscou, ao longo da História, ou proteger-se da natureza ou domina-la para suprir suas necessidades. Esse ciclo de “ou proteção ou controle” só será dissolvido quando o ser humano buscar a integração com a natureza física e com sua própria natureza interior. Por um lado, o desmatamento mundial, a poluição do ar e da água, a ameaça a camada de ozônio, a destruição da fauna e da flora, o aquecimento global, a acumulação descontrolada de lixo, todos estes têm sido problemas que afetam diretamente o equilíbrio ecológico e atentam contra a permanência do ser humano na Terra. Por outro lado, hoje em dia fala-se muito no chamado desenvolvimento sustentável. Trata-se de um novo paradigma de preservação ambiental, que prevê a exploração comedida do meio ambiente sem pôr em risco a possibilidade de preservação e conservação do ecossistema e sem comprometer as gerações futuras. Quando se age de forma sustentável, o meio ambiente não é agredido a ponto de perder sua capacidade de renovação, tendo a possibilidade de se recompor e ser novamente explorado até um certo ponto. Nada mais é do que permitirmos a natureza que se recomponha. Esse princípio deve ser adotado pelos governos mundiais, pois estamos finalmente no limite de exploração dos recursos naturais do planeta. Paralelamente, muitas novas tecnologias vêm surgindo, e novos métodos naturais emergem como uma alternativa viável, natural, simples, de baixo custo e acessível para as necessidades humanas. Como por exemplo, podemos citar as construções sustentáveis, a bioconstrução ou bioarquitetura visando dirimir os impactos ambientais, os poços artesianos e a captação da água da chuva como alternativa para a água, a energia solar, a energia eólica e o biodiesel como novos recursos não poluentes de obtenção de energia renovável. Temos também o esgoto orgânico na área de infra-estrutura ecológica, além das técnicas da permacultura, que visam a integração e adaptação do meio urbano de acordo com as características do meio ambiente. Todas estas técnicas se constituem como abordagens naturais e não agressivas ao meio ambiente, com recursos que podem ser encontrados nas próprias regiões. Tão importante quanto preservar o planeta em seus recursos, é tomar consciência de que somos parte de um mesmo organismo vivo e dinâmico, e não de um planeta mecânico. Somos parte de uma mesma teia da vida e todos estamos interconectados a ela e todos os seres vivos. Temos o direito de usufruir dos benefícios que a natureza nos concede, mas não podemos jamais supor que somos os donos dela. A ecologia interior deve orientar nossas ações de preservação e devemos tomar consciência de que tudo o que fizermos ao meio ambiente, estaremos fazendo a nós mesmos. Essa separação entre ser humano e natureza é ilusória. O ser humano é parte integrante deste sistema vivo e dinâmico, onde tudo está perfeitamente interligado e tudo o que ocorrer com nosso planeta também acontecerá com nós mesmos. Fazemos nossas as palavras do Cacique Seatle, quando disse: “Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. (...) O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. Tudo o que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido fará a si mesmo.” * * * A política sempre tem sido um tema central para a humanidade em várias épocas. É certo que, desde que os gregos começaram a se referir à Polis, como o conjunto da sociedade, a política vem sendo conhecida como um terreno onde ocorrem as disputas de poder, a preservação dos interesses pessoais ou de grupos, o local de onde partem as decisões que vão se refletir em toda a sociedade. Apesar desta visão, é bem conhecido que a política é o centro comum de entendimento e negociações que os diferentes grupos da sociedade se encontram para decidir sobre os rumos de nossa vida econômica, jurídica, administrativa e social. Sem a política, é certo que voltaríamos ao caos e à barbárie, pois não haveria qualquer espaço social comum onde os conflitos pudessem ser acordados e solucionados. Em nossa visão, a política atual atingiu um importante estágio evolutivo, que é a democracia. Mesmo que a democracia apresente inúmeras falhas, como a dominação de um grupo sobre outro, é preciso reconhecer que este ainda é o melhor regime de governo dentre os que já foram testados e experimentados no curso da História. Apesar disto, é preciso enfatizar que a democracia é um regime de governo que só poderá atingir aquilo que a sua teoria se propõe se a população como um todo, que tem a missão de exercer soberanamente o governo através de seus representantes eleitos, estiver em condições de participar do processo democrático. Em outras palavras, a democracia supõe que grande parte dos cidadãos estejam aptos a participar do processo político e sejam suficientemente capazes de compreender o sistema no qual eles estão inseridos, e assim, exercer a soberania popular(grande pilar dos sistemas políticos atuais). Mas na verdade, observamos que na maior parte das democracias do mundo, existe sempre uma elite que domina amplamente as classes sociais mais baixas e que, apesar de constituírem a ampla maioria da sociedade, não conseguem expressar sua vontade, pois são induzidas a participar de forma contrária a seus interesses. Essa é uma questão essencial que as democracias deverão, mais cedo ou mais tarde, procurar solucionar, sob pena de permanecerem apenas como guardiães de interesses de grupos pequenos da sociedade, que por deterem o poder, acabam por influenciar as massas a decidir os rumos de cada nação. Porém, mesmo sabendo ser a democracia o principal sistema e o mais adaptado ao nosso mundo moderno, não devemos jamais impor este regime a outros povos e nem temos o direito de faze-lo. Cada cultura tem a sua própria mentalidade, história, cultura e diversidade. A imposição de um regime democrático pode originar diversos conflitos dentro dos países que ainda não estão acostumados com ela, como ficou demonstrado em alguns casos recentes, e proporcionar mais malefícios do que benefícios. O respeito a essas diferenças também faz parte do cerne da democracia, e reafirma o princípio internacional da soberania e autodeterminação dos povos. A criação de uma Organismo mundial regulador e solucionador dos conflitos e dos choques de interesses atuais é mais do que desejável em nossa época. A O.N.U.(Organização das Nações Unidas) é ainda um pequeno esforço nessa direção e suas bases precisam ser reforçadas ao máximo, para que nenhum país possa controla-la e fazer dela um instrumento para suprir seus próprios interesses. Além disto, reconhecemos uma nova forma de “imperialismo internacional” que tem como ponto de sustentação a dívida dos países pobres com os países ricos. É preciso que os países de maiores riquezas e maior PIB entendam a importância de perdoar essa dívida, e todas as pessoas, de países ricos e pobres, devem lutar para a concretização desse perdão. Além de todas estas questões, é essencial que o regime democrático não se restrinja apenas ao sufrágio universal, com o voto secreto e periódico, mas que os membros da sociedade realizem reformas estruturais que encurtem as distâncias da população com a cúpula do poder. Isto tem sido chamado de democracia participativa e pode se delinear como o próximo passo para a consolidação de um aperfeiçoamento dos regimes políticos mundiais. A despeito disto, é preciso ampliar o alcance da nossa concepção de política, sendo esta não apenas a ocupação de cargos eletivos e o sufrágio, mas também e principalmente a participação de toda a sociedade no cenário político, buscando a resolução dos conflitos de interesse sempre com a consciência de que a vida social só poderá ser harmônica e pacifica quando todas as pessoas desfrutarem de uma condição de vida digna, que atenda as necessidades básicas de cada um, e se diminua ou até que possa se extinguir, as diferenças de sociais, as distinções de classe e o preconceito, que tanto atrasam a evolução humana. * * * Todo saber precisa de certos meios para a sua preservação e também para a sua manifestação, e para isso que as instituições foram criadas. Mas no momento em que decidimos valorizar mais esses meios de expressão do que a sabedoria que os sustenta, estamos optando por sobrepor o superficial em detrimento do essencial, criando múltiplas barreiras para o seu acesso. Nesse sentido, o saber original sempre é desconsiderado e as formas exteriores que são usadas para revesti-lo acabam tomando a sua importância. Esse processo pode ser observado em instituições religiosas, em escolas filosóficas, em paradigmas científicos, em doutrinas, em organizações, em associações, etc. A forma passa a ser mais considerada que o conteúdo e o conhecimento direto acaba sendo perdido dentro de uma rede de superficialidades e revestimentos externos. Passa-se a valorizar mais o ritual do que o saber que o sustenta, a imagem em detrimento de sua origem, as palavras em detrimento do seu sentido, o sistema em detrimento daquilo que o sistema pretende abarcar, e assim por diante. Dessa maneira, os seres humanos vão se perdendo numa rede de complexidades de forma e aparência, identificando-se com a roupagem e esquecendo-se daquilo que reside no interior da própria forma. Essa atitude, quando refletida no ser humano, tem como conseqüência nada mais nada menos do que a infelicidade e a perda de si mesmo. Os dois pilares do pensamento humano, ou aquilo que determina como será nosso modo de vida e qual o sentido da existência do homem na Terra, são a ciência e a religião. Durante muito tempo elas se opuseram uma a outra e poucas foram as tentativas de buscar uma convergência entre ambas. É certo que elas se contradizem na maior parte dos seus postulados, mas isto se dá apenas num nível meramente superficial. Ambas representam uma manifestação do esforço humano em compreender a vida e procurar a sua localização exata dentro de um plano superior. Tanto a ciência quanto a religião são hoje reconhecidas pelo caráter dogmático que podem tomar, mas isto ocorre justamente porque o ser humano só consegue vislumbrar o seu nível mais baixo, um nível onde as duas se chocam e se repelem. A ciência de hoje se constitui muitas vezes de dogmas e muitos cientistas fazem da ciência uma verdadeira religião. A religião, por seu lado, perdeu seu caráter essencial e esqueceu-se da mensagem dos sábios da humanidade, desejando construir "palácios" imensos de verdades imutáveis sob estruturas caóticas e impermanentes. A questão da ciência tomou espaço nos últimos quatro séculos e desde então tem substituído em parte a religião como a principal "produtora de verdades" de que necessita a humanidade. A ciência humana teve uma evolução surpreendente nas ultimas décadas e qualquer pessoa de bom grado deve admitir que sem ela talvez o ser humano não tivesse saído das trevas que envolveram o pensamento humano ocidental na Idade Média. O homem atual deve muito à ciência e ao desenvolvimento tecnológico, pois estes permitiram que ele melhorasse a sua condição e tivesse uma vida mais digna. Com os recentes avanços no campo da medicina, da informática, das telecomunicações, e de todo aparato tecnológico em geral, o homem pôde viver uma vida mais satisfatória e mais adaptada a realidade concreta. Porém, observamos que toda a tecnologia que dispomos fica restrita apenas à uma parcela muito pequena da humanidade, e somente aqueles que possuem os recursos necessários podem se beneficiar dela. Além disso, a ciência atual valoriza mais as ciências exatas e a pesquisa tecnológica do que as ciências humanas e o conhecimento espiritual. Isso ocorre porque o motor da pesquisa científica ainda é o capital financeiro e grande parte dos cientistas é patrocinada por grandes grupamentos econômicos. Nesse sentido, a ciência não é de todo livre para decidir sobre seus destinos e a matéria-prima das grandes inovações continua sendo os interesses motivados pelo lucro e pela acumulação de riquezas materiais. Na antiguidade, a natureza sempre foi considerada sagrada e o homem prestava reverência a sua sacralidade. Com o advento da ciência e do método científico, a natureza passou a ser vista como objeto a ser analisado e dissecado. Quanto mais o cientista se distanciasse da natureza e fizesse dela objeto de sua observação, mais ele poderia ter poder sobre ela. O homem de ciência adotou o principio do “dividir para conquistar” e procurou separar as partes de um todo para que as partes pudessem ser vistas de forma isolada, e assim, estivessem mais próximas de seu controle e intervenção. Nesse sentido, o cientista era o desbravador de um mundo natural que deveria ser controlado e seu sucesso se baseava tanto nessa conquista quanto na previsibilidade dos resultados. Apesar dessa tentativa de busca de controle, o homem passou a ser dominado pelo seu próprio desejo de controlar. Quanto mais ele busca o domínio, mais é dominado. Quanto mais ele tenta prender alguma coisa, mais ele é preso. Por analogia, um policial que monta guarda na porta de uma cela impedindo que um bandido escape está tão preso quanto o bandido. Na ciência antiga e atual, o homem tendeu a procurar encaixar a natureza no seu método, a buscar os resultados baseados em sua preferência e em conformidade com suas crenças, ao contrário de aperfeiçoar o método para que este pudesse com mais capacidade investigar o Universo. Além disso, o cientista muitas vezes procura tomar como certo o que a tradição cientifica toma como verdade, e se conforta com um conhecimento pronto e aparentemente definitivo. Muitas vezes, a mera retórica formal toma rouba a cena da originalidade de uma descoberta, e os cientistas, assim como os religiosos dogmáticos, se prendem mais a uma repetição do que a investigação. Todos estes comportamentos atrasam o adiantamento da ciência e só contribuem para sua estagnação. Pensamos que o cientista é, antes de tudo, um pensador livre, pois só assim poderá desbravar novos campos e trilhar caminhos originais de descobertas. Nesse sentido, da mesma forma que a religião, a ciência também é dogmática, e grande parte das vezes opta pela conservação em detrimento da descoberta. O cientista deve encarar o Universo e a existência tal como proposto por Albert Einstein, grande físico do Século XX: "A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, incapaz de sentir admiração e estupefação, esse já está, por assim dizer, morto e tem os olhos extintos". Dessa forma, já é fato reconhecido pela maioria dos cientistas que a ciência jamais pode ser totalmente neutra ou imparcial. Ela se contamina pela subjetividade humana e não está liberta das influências da sociedade e até da política das nações e das organizações. A ciência é, pois, um efeito do contexto social e do momento histórico pelo qual estamos atravessando. Contudo, a ciência está aos poucos descobrindo fragmentos de princípios universais sobre as leis naturais da vida e vai percorrendo um caminho original de abertura de novos campos do saber. Assim, a ciência ainda é uma opção bastante desejável, pois se constitui num campo aberto a intervenções, onde qualquer cientista pode propor novas idéias, conceitos, teorias, etc, e assim traçar novas trilhas de descobertas. A despeito disso, a ciência tornou-se mais quantitativa que qualitativa, e se divide em múltiplas escolas que se opõem mutuamente, muitas vezes tendo seus campos de pesquisa com um conhecimento que é complementar às escolas que lhes fazem oposição. É o caso do materialismo e do espiritualismo, da psicossomática e da somatopsíquica, do vitalismo e do mecanicismo, da própria ciência e da religião, etc. Nos dias atuais, se faz mais do que necessária a ampliação do conceito de ciência e a pesquisa profunda sobre a universalidade do conhecimento cientifico. É preciso que os cientistas tenham uma postura de realização da síntese, o que se chama de transdisciplinaridade entre os diversos campos, pois só assim a ciência poderá descobrir os princípios comuns a todas as escolas e a sabedoria una que dá origem a todo conhecimento. A religião, por sua vez, sempre foi um tema central no conhecimento humano, pois de certa forma a religião é controladora da ordem social, e sem a sua existência, a sociedade perderia a sua coesão e não poderia funcionar adequadamente. Existem dois níveis que devem ser observados hoje em dia, o primeiro mostra que existem adeptos religiosos que afundam cada vez mais nos aspectos mais primitivos das religiões, com a sobreposição do aspecto externo do culto em detrimento de sua face interna. Essas pessoas buscam a religião como uma espécie de descarga da tensão vivida no seu dia a dia, e entregam-se a toda a sorte de adoração a imagens e a ritualísticas que nem sequer procuram conhecer sua significação. Muitas vezes, os adeptos se tornam autômatos, e acabam por ficar alienados de sua realidade social - sofrendo uma poderosa influência do líder religioso - que acaba por tornar-se o produtor de verdades que ela tanto anseia. Esses movimentos são, em sua maioria, conservadores, e acabam por valorizar mais os preceitos morais que eram utilizados no passado em oposição aos novos fatos sociais que se apresentam a cada dia, que muitas vezes revelam uma nova perspectiva de se enxergar as coisas. Essa atitude acaba por desviar o foco do social para um mundo ideal, criado para aqueles que optam por levar uma vida de anestesia, encerrados dentro de uma casca que os protege da inexorável corrente transitória da vida. Porém, é justamente nas transformações que os caminhos são abertos para a oportunidade e o crescimento. Além disso, muitas religiões, para não dizer a maioria, sempre se colocam como as únicas verdadeiras, situando todas as outras como falsas. Essa posição cria extremismos e fundamentalismos, que acabam prejudicando o entendimento inter-religioso e as propostas de síntese e universalismo. Nossa religião é sempre a mais verdadeira, apenas porque é a nossa religião. O livro sagrado do meu credo é o mais próximo de Deus, apenas porque assim consideram os líderes e os membros da minha religião. Assim pensa grande parte dos adeptos. Há algo de parcial nessa visão e todos devem perceber a importância de se desapegar dos dogmas propostos. A tendência de muitos adeptos é apegar-se apenas àquela visão de mundo, esquecendo ou repelindo todas as outras, de modo que acabam por permanecer bastante parciais em relação à vida e enxergar o mundo apenas sob um prisma, que por mais elevado que seja, busca sempre se sobressair perante as outras visões, e acabamos por visualizar as coisas apenas por aquela ótica, com a limitação do seu alcance. Muitas religiões oferecem um pacote de verdades pronto, um modelo de preceitos que devemos, ou aceitar e integrar-nos a religião, ou rejeita-lo e sair, não havendo meio termo. O resultado de tudo isso acaba sendo o desligamento da mensagem dos grandes sábios da humanidade. Em vez de seguirmos a mensagem dos Mestres, acabamos por seguir a forma ou o caminho que outras pessoas montaram para chegarmos até o ensinamento dos sábios. Obviamente, em sua grande parte, esse caminho institucional é ilusório eacaba por nos distanciar da mensagem original ao invés de nos ligar a ela, pois trata-se de uma via formal, mecânica e indireta. Mas além dessa faceta, existe uma outra que está se desenvolvendo e que não mais toma os preceitos religiosos como verdades inalteráveis. As pessoas estão ávidas por ensinamentos espirituais que as tornem mais próximas da experiência transcendente, e assim, passaram a questionar os métodos tradicionais de ensino religioso, valorizando a experiência mais íntima com os ensinamentos, retomando o sentido da palavra religião, que significa religar-se ou unir-se a um plano mais elevado. Assim, as grandes religiões não mais ocupam o lugar privilegiado que sempre ocuparam, e estão cada vez mais perdendo espaço para a diversificação de idéias e grupos que pretendem flexibilizar o ensino religioso e colocando-o mais próximo de nossa vida interior. Dessa forma, as religiões mais tradicionais devem voltar-se para a mensagem original dos sábios que as impulsionaram, para o avanço da ciência, para as transformações atuais ou estão fadadas, mais cedo ou mais tarde, a serem dissolvidas. É importante também enfatizar que muitos dos ensinamentos religiosos são provenientes de uma interpretação equivocada dos textos sagrados das grandes religiões. Muitas passagens encontradas nestes clássicos espirituais, como a Bíblia, o Alcorão, a Torá, o Bhagavad Gitá, o Livro dos Mortos Egípcio, o Livro dos Mortos Tibetano, o Zend Avesta, as mitologias de vários povos, etc, são na verdade ensinamentos cujo conteúdo está expresso de forma simbólica e não deve jamais ser tomado ao pé da letra. Muitos erros de interpretação são originados a partir das interpretações literais dos textos sagrados, e acabam por distanciar ainda mais a fé da razão. No entanto, o conteúdo simbólico desse tratados sempre revela temas de caráter universal, que de certa forma são princípios que estão na base de todas as correntes religiosas. Nesse sentido, é ilusão buscar o fortalecimento de um determinado credo pela rigidez e inflexão de seus postulados, pois este só pode ser conseguido através do conhecimento dos laços que as unem a todas as outras religiões, por um lado, e ao conhecimento interior, direto, íntimo, pessoal e transcendente da verdade, por outro. As religiões devem ser encaradas apenas como veículos de manifestação da verdade e não a própria verdade em si mesma. Independente de formas, crenças, dogmas, culturas, épocas e geografias, a Verdade é una e indivisível, e as diferentes manifestações religiosas são como lâmpadas de diferentes cores e formas que brilham em intensidades diferentes. E a eletricidade seria a corrente essencial do Universo que busca veículos cada vez mais adaptados a manifestar seu brilho. Dessa forma, as religiões vieram de uma mesma fonte, e podem ser integradas novamente numa síntese universalista, que poderá acabar com as disputas, os conflitos, a intolerância, e até mesmo as guerras mundiais que observamos no planeta. Sabemos que o ser humano vive dentro de uma realidade cósmica, dentro de um contexto que transcende aquilo que ele pode perceber neste mundo. A natureza do ser humano é a mesma natureza do Universo, assim como tudo aquilo que existe. A realidade do Universo é de harmonia e perfeição, porém o ser humano rompeu com essa ordem primordial, e a partir disto, seu destino tem sido o de dor e sofrimento, erro e morte. A despeito disto, o ser humano éum Universo em miniatura e possui os atributos e as qualidades de todo o Cosmos. Nesse sentido, ele tem a capacidade de evoluir com as suas experiências de vida, e elevar sua consciência individual à Consciência Universal. Assim, dizemos que o ser humano é o seu próprio templo e nele estão contidos os pilares do infinito. Em seu interior existe um núcleo essencial a partir do qual tudo foi criado e tudo pode ser acessado. Não há qualquer necessidade de rotular-se como isso ou aquilo. O ser humano é aquilo que é. Ele não tem nome nem forma. Assim, é universal a frase do gênesis escrita por Moisés que diz “Eu Sou o que Eu Sou”. Além disto, unimo-nos a Jesus quando diz: "O reino de Deus está dentro de nós, dentro de cada um". Ou então a Tolstoi quando diz "É no coração do homem que reside o princípio e o fim de todas as coisas". * * * Sabemos que as transformações necessárias dependem muito do próprio ser humano e em que medida ele está disposto a realizar aquilo que se faz necessário para o seu adiantamento. Dessa forma, tudo o que ocorre conosco é de responsabilidade única e exclusiva do conjunto da humanidade. Por outro lado, se o homem é o único criador do cenário atual, ele é de igual maneira capaz de modificar tudo aquilo que ao longo da História foi sendo produzido e definido. Nesse sentido, os sistemas políticos, as religiões, as correntes de pensamento, as ideologias, as ciências, as artes, a espiritualidade, todas estas formulações, são apenas instrumentos de que o homem se serve para atuar e construir a sua realidade e eles podem apenas ser usados para ativar a transformação de que necessitamos, mas jamais serão o ator principal da mudança. Tendo noção da necessidade de uma atuação tanto no plano das idéias quanto no plano prático, o Instituto Unidiversidade se propôs a realizar atividades nestes dois níveis. A época das grandes estruturas teóricas já passou, esse é o momento de pôr tudo o que conhecemos em prática. Talvez este seja um modo de transformar os "edifícios" teóricos numa nova e mais profunda forma de conhecer: a teoria unida à prática no laboratório interior do homem. Assim, uma das melhores formas de transformar nossa sociedade, sob os princípios da fraternidade, igualdade, liberdade, justiça social, compaixão e solidariedade, é um projeto que coloque o ser humano no centro de todo o processo. Como já assinalamos, durante muito tempo acreditou-se que a mudança deveria vir de fora para depois se refletir dentro. Era preciso mudar o sistema político e econômico para que cada pessoa fosse formada numa nova sociedade regida por novos princípios, e assim, poderíamos criar uma nova mentalidade e uma nova consciência. Este ideário já caiu por terra, pois a transformação dos sistemas sociais, da ciência, da religião e do mundo em geral, só pode ocorrer paralelamente à transformação do ser humano. Nesse sentido, é importante dizer que a evolução do pensamento coletivo é sempre um processo gradual e cíclico, onde muitas vezes repetimos velhos padrões apenas com um revestimento novo. Mas não podemos nunca perder de vista que as transformações individuais influenciam no exterior mais do que acreditamos, e cada pessoa tem um papel central dentro do todo. Vamos terminando o Manifesto do Espaço Auryn com a convocação de todos os interessados, chamando-os a participar de um projeto planetário. É certo que nossa vida individual e mundana jamais poderá nos trazer a satisfação que tanto buscamos no plano material. A sensação de pertencer a um esquema universal pode fazer com que nossos problemas sejam encarados como pequenos e até irrelevantes, face à imensidão de nossa missão cósmica. Apesar de todas as problemáticas que encontramos no planeta, encerramos este manifesto com uma mensagem de confiança, e também com uma palavra-chave que devemos sempre lembrar: a esperança. Somos herdeiros do Universo, filhos da Criação e nela todos têm o seu lugar. Somos livres tanto para destruir quanto para criar e recriar. Não esqueçam de uma coisa: Deus não marcou o destino da humanidade. Pois o que o homem planta... ele mesmo colhe. * * * No início do universo, Brahma, o grande Deus hindu, julgou os seres humanos indignos de possuírem o fogo divino, o fogo da vida, que constitui todas as coisas, que cria e dá vida a tudo. Porém, Brahma se confrontava com um problema: onde escondê-lo dos humanos? (Espaço Auryn, 22 de maio de 2007 ) Regressão | TVP Terapia de Vidas Passadas |