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EMERGÊNCIA ESPIRITUAL



A ciência tradicional não é mais materialista. Quando Einstein, Max Planck, Nils Bohr dentre outros enveredaram pela realidade subatômica da matéria, modificaram enormemente a visão do que podemos chamar Realidade. Newton havia estabelecido os princípios que explicavam a realidade objetiva através da lei da gravidade, das formulações do movimento dos sólidos e da aceleração, consagrando as dimensões do espaço e do tempo como parâmetros da realidade. Em cima dessa base, a Medicina e a Psicologia vêm sustentando suas pesquisas e procedimentos para o entendimento do homem, da vida e das enfermidades.

Entretanto, quando os grandes nomes da Física Moderna dissolveram a matéria em energia, a partir da célebre fórmula de Einstein (E=mc2) e dos conceitos da Física Quântica, inauguraram um novo período de entendimento da realidade onde o espaço ficou atrelado ao tempo e, com isso, tudo passou a ser relativo. O tempo, antes mandatário da existência, pôde ser considerado zero quando a massa chega à velocidade da luz. A luz passa a ser o referencial para a descrição da realidade.

As novas teorias cosmogônicas conseguiram chegar a cálculos precisos sobre a história do Universo até 10-48 segundos depois do Big Bang. A grande explosão que gera um nível inigualável de energia, que vai se condensando, criando galáxias, sóis, estrelas e planetas. Concretiza-se a energia numa parte mais densa: a matéria. O que ocorreu no momento preciso da explosão permanece como um mistério. Pelo menos para a ciência...

A concepção de realidade que a Física nos dá atualmente, pressupõe a atuação constante de campos de energia, pacotes de quanta, quarks etc. Um verdadeiro Universo energético onde a matéria é apenas um estado condensado de energia. Tudo está intimamente ligado a tudo. Mas por que relutamos tanto em adentrar nessa revisão conceitual quando se trata de seres humanos? Por que ainda estamos tratando as pessoas como seres encapsulados pela pele como diz Grof, em sua obra?

A realidade energética do ser humano ganha espaço e avança. Avança para a confirmação do passado. Sim, porque a maioria das tradições orientais, que remontam séculos antes da era cristã, já considerava, mesmo que de forma intuitiva, a realidade energética do homem e do universo. Isso não quer dizer uma necessária e inevitável volta aos caminhos da tradição. Minha opinião é de que todo o percurso da ciência tem a sua razão de ser e representa um avanço inquestionável do pensamento humano. Mas, há de se considerar a ampliação de nossos paradigmas incluindo a realidade sutil do ser humano.

Essa dimensão sutil, muitas vezes desconsiderada por alguns cientistas, pode ser constatada pela maioria das pessoas comuns nos fenômenos de seu dia a dia. Percepções que escapam à lógica ou as explicações convencionais. Vivências que confirmam a existência de uma outra realidade, já ratificada pela Física, uma realidade, digamos espiritual.

Todo movimento de expansão do conhecimento experimenta um primeiro momento de retração, antes do salto para um novo patamar. Essa espécie de fundamentalismo faz com que muitas posições se radicalizem, que se questionem a seriedade dos indivíduos que avançam para novos conceitos e formulações. Antes éramos jogados nas fogueiras da incompreensão, Hoje, nos processos de descrédito, ridicularização e isolamento. Mas a ciência segue o seu rumo a despeito de alguns “cientistas”.

As novas tendências na saúde, naturalmente, também enfrentam seus desafios na mudança de paradigmas. Nesse campo com um agravante. Alega-se preservar a saúde e o cidadão das falsas promessas e dos enganadores. Mas quantos trabalhos e profissionais sérios estão ganhando esse rótulo? Quantas possibilidades de alívio dos sofrimentos humanos são inibidas diante da pressão dos interesses distantes dos ideais hipocráticos?

Nossa posição, não recusa a necessidade de critério e rigor científicos. Pelo contrário. Os que estão seriamente engajados nesse processo devem buscar caminhos de interlocução com o paradigma vigente. Devemos buscar a pesquisa fundamentada e cuidadosa. Sem esquecer, jamais, de que estamos lidando com seres humanos, o que nos exige um compromisso ético no trato dessas pesquisas. Mas deve ser ética também nossa posição de, dispondo de novas formas de aliviar ou superar os sofrimentos, coloca-los à disposição da comunidade.

A Psicologia Transpessoal vem demonstrando fôlego para enfrentar esses desafios. Multiplica-se pelas várias partes do globo. Encontra solo fértil nas mentes dos que não se satisfazem com os limites que sua formação tradicional impõe no trato de certas enfermidades. Colocam-se numa condição de certa marginalidade ao sistema vigente para encontrar uma saída para suas angústias e aspirações. O trabalho com os chamados Estados Ampliados de Consciência (EAC) vem demonstrando sua potência quando conduzidos em contexto terapêutico. Também requerem treinamento constante, ampliação de recursos terapêuticos e adequação à diversidade e à complexidade do psiquismo humano.

A Terapia de Vida Passada, que considero uma abordagem transpessoal, me parece estar ainda um passo atrás nesse processo, é verdade. Muitos terapeutas se encantam pelo fenômeno regressivo. Deparar-se com uma possibilidade de lembrar vidas passadas remete a uma mudança radical do conceito materialista de vida e do conceito religioso de homem. Tratar de enfermidades com as revivência das experiências do passado exige uma revisão e uma ampliação dos conceitos psicológicos e biológicos do homem. A potência da regressão de memória no tratamento de algumas enfermidades fez com que muitos terapeutas, com treinamento acadêmico, deixassem de lado as discussões teóricas para ficar com os resultados de sua prática. Outros fizeram uma leitura simplista do processo e enfatizam a técnica regressiva em detrimento do processo complexo que representa o psiquismo humano nessa nova abordagem. A fragilidade e falta de consistência teórica e técnica tende a gerar um descrédito em torno da utilização da TVP. Entretanto, inúmeros pesquisadores estão se dedicando, no mundo inteiro, às pesquisas nesse novo campo.

Para nós, do Instituto Vita Continua, a realidade espiritual deve ser considerada um objeto de estudo pela ciência. Para isso é preciso desenvolver novas formas de pesquisa, novas metodologias e novos conceitos. No campo da saúde, esse processo de consideração da Espiritualidade como uma dimensão humana básica, é quase imperativo.

A Emergência da Espiritualidade se dá por duas vias de entendimento. A primeira porque emerge naturalmente dos postulados da Física Moderna e das observações de terapeutas transpessoais, de vida passada e tantas terapias vivenciais que, trabalhando com esses princípios, se deparam com uma nova ordem de fenômenos e possibilidades que a ciência não pode desprezar sem o risco de não atender a sua finalidade básica, que é o desenvolvimento do conhecimento e não a defesa de um paradigma.

Mas é também emergência no sentido da urgência em se considerar a dimensão espiritual no entendimento do homem e no desenvolvimento de novas abordagens do sofrimento humano. A urgência de se integrar um homem que foi dividido teoricamente em corpo e espírito. Mas que é, na vivência prática de sua vida diária, um ser multidimensional, ou seja, não tem apenas necessidades materiais, mas também afetivas, sociais, culturais e espirituais. Nosso objetivo é que mais pessoas possam estar sensíveis a essa Emergência Espiritual.

Fonte: http://www.miltonmenezes.com.br

 

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