Chico Xavier
A maioria dos homens nada constrói e quer ser endeusado. Francisco Cândido Xavier colocou a sua vida a serviço das causas nobres e, segundo Carlos A. Baccelli, na obra: “Chico Xavier, Mediunidade e Coração”, diz ser apenas um cisco. Indicado para o Prêmio Nobel da Paz e considerado, pelos mais de cem títulos de cidadania recebidos, como cidadão do mundo, Chico, no entanto, tem consciência de que nada somos na Terra, além de simples depositários dos dons que Deus nos outorgou.
Menino pobre, nascido a 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais, sua vida tem sido uma seqüência de provações, que ele soube enfrentar com paciência e resignação, próprias das almas nobres. Na introdução da sua primeira obra psicografada, “Parnaso de Além-Túmulo”, ditada por Espíritos Diversos, ele assim se expressa: “...não venho ao campo da publicidade para fazer um nome, porque a dor há muito já me convenceu da inutilidade das bagatelas que ainda são estimadas neste mundo”.
As provações começam com a idade de 5 anos, quando fica órfão da mãe D. Maria João de Deus, tendo sido obrigado a viver com a madrinha Rita, que lhe dá três surras por dia, com hora marcada. Quando lhe surgem as primeiras visões, a mesma, por recomendação do padre local, obriga-lhe a rezar mil ave-marias e colocar uma pedra de 15 quilos na cabeça, durante as procissões, além de algumas garrafadas, como “prêmio de consolação”, cujas cicatrizes, permanecem até hoje. Contudo, nunca se ouviu, de Chico, uma queixa, contra a madrinha. O temperamento da mesma era classificado, por ele, como “benévolo”.
Contato com Emmanuel
A primeira experiência de Chico, no campo da mediunidade, foi a conversa com o Espírito de D. Maria João de Deus, que lhe aconselha a ter muita paciência, para suportar, também, os maus-tratos que viriam, sendo, exemplo disso, a ocasião em que a madrinha obriga-o a lamber, em jejum, uma ferida que um outro filho seu, adotivo, tinha na perna. Após três semanas seguidas, Chico viu D. Maria colocar um pozinho na ferida, que, em pouco tempo, estava curada.
Após viver dois anos com a madrinha, seu pai, João Cândido Xavier, casa-se novamente com uma moça chamada Cidália, que faz questão de reunir, sob a sua tutela, os nove filhos do primeiro casamento de João. Foram 10 anos de paz, compreensão e carinho. Nesse clima, há o contato com Emmanuel, seu Mentor Espiritual, sobre o qual Chico, após outros contatos, fica sabendo ter sido Públio Lentulus, desencarnado em Pompéia, durante a erupção do vulcão Vesúvio e, anos mais tarde. reencarnado como Nestório, escravo romano cristão, atirado aos leões do Circo Máximo. A mais recente encarnação de Emmanuel teria sido como o padre Manoel da Nóbrega.
Desde os 8 anos de idade, Chico Xavier trabalha para ajudar o sustento da família, tendo sido operário de uma fábrica de tecidos, servente de fiação, servente de cozinha, caixeiro de armazém e, por último, inspetor agrícola. Hoje é funcionário público aposentado, com um salário irrisório, pois os espíritos missionários não reencarnam com o atributo de ganhar grandes somas, ficando, o dinheiro, apenas para o estritamente necessário.
O Próprio Bem Encarnado
Com uma vida atribulada, Chico não teve a oportunidade de avançar nos estudos, não tendo passado do curso primário incompleto. Este é um dos aspectos que mais atestam a veracidade das comunicações mediúnicas que ele recebe, através da psicografia, muitas delas transformadas em livros, com traduções para o Castelhano, Esperanto, Francês, Grego, Inglês, Japonês, Tcheco e transcrições para o Braille, que nos transmitem informações das mais diversas áreas do conhecimento humano, muitas delas, desconhecidas do médium.
Além das atividades mediúnicas, concentradas, atualmente, no “Grupo Espírita da Prece”, de Uberaba, Minas Gerais, Chico desenvolve um extenso trabalho no campo da caridade. Em Uberaba, distribui sopa aos pobres, gêneros alimentícios e brinquedos no Natal, às famílias e crianças carentes; visita, anualmente, o “Lar da Caridade” e outras instituições assistenciais, em Uberaba e outros Estados brasileiros. Também cede o seu nome para a realização de shows beneficentes, além de doar, totalmente, os direitos autorais das obras por ele psicografadas, para fins assistências.
No início da obra “Parnaso de AlémTúmulo”, Chico define, com muita propriedade, a sua extensa produção mediúnica: “Tive três períodos distintos em minha vida mediúnica. O primeiro, de completa incompreensão para mim, é aquele dos 5 anos de idade, quando via minha mãe proteger-me, até os 17 anos, quando a Doutrina Espírita penetrou em nossa casa. O segundo, de 1928 a 1931, no qual psicografei centenas de mensagens que os benfeitores espirituais, mais tarde, determinaram fossem inutilizadas porque, na opinião deles, estas mensagens eram apenas esboços de exercícios, O terceiro período começa com a presença do nosso abnegado Emmanuel, que em 1931 assumiu o encargo de orientar todas as atividades mediúnicas até agora.”
Altamirando Carneiro
Edições FEESP/ Outubro de 1991
Com mais de 70 anos de mediunidade, completados em 8 de julho, Francisco Cândido Xavier é o exemplo do próprio BEM Encarnado, uma personalidade sempre a serviço do Mais Alto e vontade submetida à Vontade Maior. Ao todo, já foram publicadas mais de 300 obras, recebidas através de sua psicografia, sendo: obras de comunicação familiar: “Esperança e Alegria”; obras de mensagens: “Tende Bom Ânimo” e “Tema da Vida”.
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