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Psicose e Mediunidade

Muitos pesquisadores, psiquiatras, médicos, psicólogos, profissionais da área de saúde de uma forma geral debatem e procuram compreender a questão da loucura, psicose, ou como vem sendo chamada mais modernamente, os transtornos mentais. Essa questão dos transtornos é muito polêmica e existe um campo de conhecimento e experiências muito extenso que ainda precisa ser descoberto. Em primeiro lugar, por que nem os psiquiatras e psicólogos não sabem definir muito bem o que seria um transtorno mental, um transtorno esquizofrênico, psicose, etc. A maioria dos pesquisadores não encaixa esses transtornos dentro de uma teoria geral das classificações, apenas procura observar empiricamente os sintomas e verificar quais tipos de comportamento estão ligados a outros e assim formular uma classificação geral, criando uma categoria a parte. Todas essas classificações abrem para subclassificações e essas, ainda admitem exceções nas situações X, Y e Z. Além disso, ainda existe a classificação de um transtorno não-reconhecida, ou seja, sintomas que podem conviver junto com a classe sem que essa exceção deixe de se referir àquela categoria de transtorno. Os Manuais de Psiquiatria, como o CID-10 e o DSM-IV possuem versões que são constantemente atualizadas, e para não virar confusão, eles estabeleceram um período em que elas poderiam ser modificadas. Tudo isso demonstra que os pesquisadores do psiquismo não sabem ao certo como localizar os transtornos mentais dentro de uma lógica geral, isso porque lhes falta os elementos de base que serviriam para definir o que é um transtorno mental e em que medida ele pode ser prejudicial ao indivíduo.

Como não existem conhecimentos suficientes para a elaboração de uma teoria mais geral, que agregue os diferentes tipos de transtorno sob um sistema geral, os psiquiatras buscam definir ao máximo os sintomas e quando ele aparecem junto, para que dessa forma possa se tornar possível a identificação de uma classe a partir da observação de um sintoma. Por exemplo, se uma pessoa relata ouvir “vozes”, os psiquiatras podem associar esse sintoma a esquizofrenia, pois a maioria dos esquizofrênicos apresentam essas alucinações auditivas e visuais. Porém, quando se coloca o efeito sobreposto ao conhecimento que o sustenta, acabamos por incorrer em erros grosseiros de classes, como é o caso da confusão entre os transtornos mentais e a mediunidade. De acordo com o conhecimento oficial da psiquiatria, todas as pessoas que ouvem vozes recorrentemente devem ser, ao menos em teoria, consideradas esquizofrênicas. Isso ocorre porque não existe um crivo mais geral além da definição e observação dos sintomas e como eles se apresentam em forma de comportamento.

É certo que a maioria dos esquizofrênicos são pessoas muito sensíveis. Essa sensibilidade pode ser tanto interna quanto externa. Ou seja, a pessoa é sensível aos seus próprios processos interiores tanto quanto a determinados acontecimentos externos. Muitos dizem que os esquizofrênicos são pessoas hipersensíveis, que parecem olhar fundo dentro de nós como se desvendassem nossos segredos. Todo esse aspecto sensível também se manifesta em múltiplos níveis e aspectos, e nisso entra a captação de energias externas e internas. Tanto a visão de espíritos e das energias do plano espiritual quanto a percepção de experiências passadas que retornam a consciência de forma abrupta, pois pedem passagem ao nosso consciente, por não encontrarem uma organização mental que lhes dê um lugar dentro de nossa vida mental.

Ao contrário do que muitos pesquisadores acreditam, a alucinação não é apenas fruto da imaginação, mas ela guarda relação com a experiência da pessoa. A própria imaginação não poderia ser tão somente uma criação, mas também são aspectos interiores da própria pessoa que ela não reconhece e que não possuem uma organização, por isso retornam a consciência em forma de visões, delírios, sintomas, etc.

É errado supor, como fazem alguns, de associar a loucura apenas a mediunidade. O medium, para ser considerado louco, ele deve ter uma desorganização mental e emocional, um desequilíbrio de síntese de seu psiquismo, por isso as representações internas(experiências passadas) e externas(espíritos, energias extra-físicas, etc) tomam o espaço que receberia um crivo da consciência objetiva.

Dizer que todos os esquizofrênicos são mediuns seria o mesmo reducionismo de supor que todos os mediuns são esquizofrênicos. Não podemos incorrer nesses erros.

Os psicóticos são indivíduos sensíveis ao extremo e muitas vezes, tem mediunidade, mas não é necessariamente a mediunidade a causa de um transtorno. Muito do passado do esquizofrênico pode se apresentar a sua consciência com extrema desordem, e isso o deixa confuso e desequilibrado. Muitas vezes, as pessoas que o esquizofrênico percebe não são espíritos, mas suas próprias personalidades de vidas passadas e também pessoas que ele conviveu em várias de suas encarnações. Fenômenos como transtorno somatoforme, catalepsia(paralisia do sono), xenoglosia(falar linguas estranhas), ter visões(mediunismo ou animismo), etc. podem ser perfeitamente explicados pelo seu aspecto espiritual e psíquico.

Portanto, se uma mediunidade passa a ser descontrolada e isso afeta o equilíbrio mental de uma pessoa, podemos considerar isso como um transtorno. Talvez não como a psiquiatria considere, porém, é algo que, sem duvida, atrapalha a vida da pessoa, provocando um desajuste de suas funções psíquicas e comportamentais.

É também possível que a pessoa esteja com suas vidas passadas tão afloradas que viva mais numa outra encarnação do que na atual. Isso nada tem de mediunidade, é puramente anímico, ou seja, faz parte do processo interior da pessoa e da harmonia que existe entre sua consciência dessa vida e as personas que revestiu em vidas anteriores.

Em suma, todo transtorno mental deve pressupor um desequilíbrio. Não porque alguém teve uma visão que deve ser considerado louco.

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