PROJETO ORFEU
Saúde Espiritual
Orfeu e Eurídice
Na mitologia Grega, Orfeu era um poeta e um músico que tocava a lira de Apolo, e com isso, conseguia tranqüilizar animais e homens e emitir vibrações de paz aos lugares por onde andava. Orfeu precisou descer aos infernos para recuperar a sua amada, Eurídice, morta após uma picada de serpente. Chegando aos infernos, tocou sua lira e conseguiu transpor o portal do mundo dos mortos, guardado por Cérbero. Chegando em frente a Hades, o deus dos mortos, tocou novamente a sua lira, deixando Hades tão comovido que permitiu Orfeu resgatar Eurídice. Quando Orfeu ascendeu de volta à superfície, acabou fazendo aquilo que foi advertido que não deveria, olhou para trás e acabou perdendo sua amada Eurídice para sempre. Depois disso, Orfeu se tornou frio em decorrência da perda e as Mênades, mulheres desprezadas por ele, retornaram furiosas, atirando-lhe dardos. Com sua Lira, Orfeu conseguiu facilmente desviar os dardos, porém, as Mênades começaram a gritar e abafaram a música, e assim, elas conseguiram dominá-lo. Depois, despedaçaram a sua cabeça e o atiraram no rio. Orfeu permaneceu flutuando pelo rio. Após a morte, ele se uniu a Eurídice. Dizem que os rouxinóis das proximidades cantavam inspirados pela lira sagrada de Apolo tocada por Orfeu.
Grandes pesquisadores dos mitos e símbolos já diziam. Os enredos mitológicos de todos os tempos não são apenas estórias criadas e imaginadas, de culturas primitivas e pré-cientificas. Os mitos são, antes de qualquer coisa, símbolos das tramas existenciais humanas, arquétipos, que trazem uma ontologia estrutural da alma, falando de valores universais e eternos e contando parábolas a respeito de verdades simbólicas que estão no interior de cada um e na natureza. A imaginação e as criações artísticas e poéticas são apenas uma linguagem utilizada para expressar algo a respeito dessa essência, manifesta por meio de símbolos e estórias que narram uma condição natural e arquetípica de tudo.
O mito de Orfeu, de acordo com algumas interpretações, aborda a natureza humana e também seus estágios de evolução. A estória de Orfeu teria inspirado os mistérios de Eleusis, ou o contrário, ou seja, esses mesmos mistérios teriam dado origem a esse mito, como forma de expressar seus ensinamentos através de figuras simbólicas. No Projeto Orfeu, procuramos o fundamento desse mito na relação que eles guardam com os símbolos inerentes a estória e as analogias desses com a doença mental, mais especificamente as psicoses e a esquizofrenia.
Orfeu possuía a lira de Apolo. Esse deus grego era considerado o deus sol, o arquétipo do deus solar que pode ser encontrado em diversas tradições. O símbolo do sol tem uma significação muito importante no esoterismo, ele é considerado o centro de todo o sistema, de onde tudo procede. Aquele que irradia seus raios e dá vida a tudo. Além de Apolo ser considerado um deus solar, muitos outros deuses e redentores da antiguidade como Brama, Buda, Jesus, Krishna, Mitra, Hórus, Júpiter, Serapis, Zeus, etc, também eram vistos como encarnações da sol ou como alguns dizem, “sínteses da história do Sol”. Assim, Apolo era um regente supremo e de onde Orfeu conseguiu seu instrumento musical. A Lira de Apolo foi conseguida por Orfeu e dessa forma, ele conseguia influenciar tudo a sua volta com uma música suave e transcendente. A música representa, em várias tradições, as vibrações elevadas e cósmicas. Ou ainda, como era chamada na antiguidade, a música das esferas que se irradiam dos planetas e criam juntas uma sinfonia cósmica, que todos nós podemos irradiar estando nessa mesma vibração e alcançando um nível mais elevado de percepção e consciência. A música das esferas pode ser percebida, de acordo com algumas tradições místicas, por todos aqueles que se libertarem da influência do zodíaco e atingirem o seu Centro, que é Arquétipo Solar.
Eurídice, a mulher que Orfeu se apaixonou, era a sua parte feminina, o arquétipo oposto que o completava. Em nossa evolução espiritual, todos devem procurar aquilo que os completam, seu ânimus e sua ânima. Durante todo o processo de desenvolvimento da consciência, os gêneros se atraem e interagem com o objetivo de transmitir um pouco de sua vibração ao outro e assimilar o seu oposto, para com isso crescer através das contradições e dos paradoxos da existência. Eurídice estava no mundo dos mortos, pois foi picada por uma serpente e acabou morrendo envenenada. Em várias mitologias, o herói é representado como aquele que mata a serpente e assim, atinge a maestria sobre si mesmo. A serpente representa a kundalini, a energia central dos seres humanos, que se localiza na coluna vertebral a nível energético. Assim, a picada da serpente simboliza a kundalini deslocada a um nível inferior, onde permanece presa até ser resgatada. É a energia humana que se concentra nos níveis mais inferiores do psiquismo, a sombra dos junguianos, o inconsciente freudiano, etc. Assim, Eurídice ficou presa ao mundo dos infernos, de Hades, representação desses mesmos níveis inferiores dos seres humanos.
De acordo com as teorias reencarnacionistas e esotéricas, ao longo de nossas encarnações, num processo de nascimento e morte, precisamos retomar nossas partes perdidas, que ficaram presas em certas épocas, motivadas por traumas, apegos, padrões, vícios, erros, sofrimentos, etc. Os iniciados de todas as épocas são conhecidos como aqueles que descem ao submundo, ao inferno, aos reinos inferiores, e morrem para si mesmos, para o seu ego, e deixam sua identidade limitada de lado, desapegando-se dela. Eles descem para subir, retornam para seguir, perdem para ganhar, morrem para renascer. Assim também é o processo de resgate de nossas personalidades passadas que ficaram presas ao passado. Devemos morrer para elas para permitir que nosso ser interior e verdadeiro possa renascer e despertar. Assim, Orfeu também desceu aos infernos e conseguiu resgatar Eurídice, sua parte perdida no tempo e na ilusão. Todo esse processo representa, na Psicologia Junguiana, o contato com nossa sombra e como cada pessoa deve encarar seu “inferno pessoal” e desapegar-se de seus desejos inferiores para ascender ao céu.
Quando Orfeu foi autorizado por Hades a libertar Eurídice, ele foi avisado de que não deveria olhar para trás (onde ela estava), antes dela ser totalmente iluminada pela luz do sol. Nesse caso, a luz do sol é considerada a luz da consciência, que ajudaria Orfeu a incorporar em si mesmo aquela parte perdida que estava faltando a ele. Então, quando Eurídice ainda não havia ascendido completamente e se iluminado, Orfeu olhou para trás e ela ainda estava no túnel de trevas, simbolicamente o túnel do tempo. Assim, Orfeu que fora advertido do perigo, perdeu Eurídice. O ato de olhar para trás significa voltar à mente ao passado, o que proporciona o retorno à prisão da consciência ao tempo e a ilusão. Quando direcionamos nossa consciência ao passado, antes de permitir que a nossa consciência ilumine nossa parte perdida, nós a perdemos mais uma vez e dificilmente a recuperaremos de novo.
O mesmo ocorre com nossas personalidades de vidas passadas que ficam aprisionadas nas sucessivas encarnações e que não foram iluminadas pela luz da consciência e da compreensão após a morte. Elas permanecem no mesmo estado em que as deixamos, pois não conseguimos conhecer o seu sentido e nos libertar de sua influência. Assim, ocorre que o passado retorna furiosamente a nós, assim como as Mênades retornaram a Orfeu, abafando a música de sua lira e o matando. A morte é a perda daquela parte nossa, e vamos deixando cada uma de nossas partes em cada uma das vidas que atravessamos. Aceitamos a ilusão da vida como uma realidade ainda presente, e assim, olhando para trás e conferindo força ao passado, perdemos a nós mesmos, mais e mais partes ficarão perdidas e “morremos” na ilusão. Após a morte de Orfeu, as mênades teriam cortado ele em várias partes. Isso significa a fragmentação do homem diante do seu passado, quando suas partes ficam perdidas ao longo do percurso.
Os esquizofrênicos e psicóticos são indivíduos que vão ao extremo de toda essa situação fragmentária. Vivem na ilusão de que sua realidade interior é uma realidade palpável, sendo muito sensíveis a seus processos interiores. O seu passado encarnatório fica retornando ao seu consciente e criando uma série de distúrbios e representações de aspectos não reconhecidos de si mesmos. Assim como Orfeu, eles ainda estão olhando para trás a procura de sua Eurídice, sua parte perdida, e não conseguem cortar os laços que os unem ao seu passado. Muitas dessas personalidades de vidas passadas podem falar com ele e até mesmo lhe fazer mal. Essas podem ser algumas das “vozes” que ele escuta, consideradas como alucinações auditivas pelos psicólogos e psiquiatras. Muitas vezes, o indivíduo também pode ver e sentir a presença de uma entidade, que lhe sugestione determinados comportamentos e idéias que lhes sejam negativos. Sabemos que, se verdadeiramente existe a reencarnação, ou seja, o nascimento e morte em vidas sucessivas, é possível que existam seres que estão num estado entre uma encarnação e outra. Nesse caso, a pessoa pode estar sendo vítima de uma obsessão espiritual, seja de uma de suas personalidades passadas, seja de espíritos desencarnados que conviveram com ele em existências pretéritas, e que por algum motivo referente à sintonia vibratória e afinidade de sentimentos, ainda podem estar com ele hoje em dia.
Todo esse quadro não tem como objetivo desmerecer as classificações da Psiquiatria sobre a doença mental, mas sim em procurar situa-las dentro de um espectro que inclua o nível encarnatório, energético e espiritual dos transtornos mentais. O esquizofrênico não será visto apenas como um doente mental, mas como um ser que está vivenciando uma crise espiritual que pode ser explicada em grande parte pelo seu passado encarnatório e sua condição espiritual atual. Depois da tentativa de humanização do hospital psiquiátrico, vamos perseguir agora um novo desafio de espiritualização da doença mental, dentro de um contexto não apenas humano e pessoal, mas também multidimensional e transpessoal.
Dessa forma, propomos uma nova abordagem sobre a saúde mental. Buscamos uma saúde que agregue os componentes físico, emocional, mental e espiritual do ser humano. Uma saúde mais integral, que leve em consideração a história das vidas passadas daqueles indivíduos, as energias que os envolvem, suas ligações kármicas, as influências que as experiências de seu passado encarnatório exercem sobre ele hoje em dia, uma compreensão ampla dos múltiplos aspectos dos seus diferentes níveis de expressão, sendo os mais importantes o físico, o emocional, o mental e o espiritual.
O Projeto Orfeu tem como principal objetivo:
1 – Prestar assistência aos indivíduos portadores de transtornos mentais, como os diversos tipos de psicose em geral e a esquizofrenia em particular.
2 – Realizar Grupos de estudos sobre a etiologia dos transtornos mentais, seu diagnóstico e prognóstico, buscando as causas espirituais desses transtornos, a humanização e principalmente e espiritualização do hospital psiquiátrico e da visão sobre a doença mental.
3 – Realizar as técnicas da Apometria em hospitais psiquiátricos, CAPS, Hospitais-Dia e outras instituições congêneres que prestem assistência primária, secundária e terciária em saúde mental.
4 – Prestar assistência com técnicas regressivas e transpessoais nas Instituições Psiquiátricas.
Assim, desejamos expandir um novo paradigma de atenção a saúde, uma abordagem mais espiritual da doença mental. Aqueles que estejam interessados em trabalhar como voluntários neste projeto, podem entrar em contato.
Criado por Grupo Mahaidana
Voltar
Regressão | TVP Terapia de Vidas Passadas
Auryn - Todos os direitos reservados - All rights reserved: |