Terapia de Vidas Passadas
 

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A Invocação do Mestre

Ao longo da História, a figura do sábio, do santo, do professor, xamã, guia, mentor, etc, sempre foi central para a sociedade humana. Mesmo que não tenhamos consciência, esse arquétipo se incorpora em todas as nossas atividades de tal modo que não poderíamos imaginar a história sem a figura central do sábio.

A grande maioria das religiões, senão todas, utilizam o arquétipo do que podemos chamar de mestre. O Mestre é a personalidade central que está na origem das religiões e dos sistemas de pensamento. Ele é encarado como um primeiro instrutor, que passou pela Terra e deixou um legado que posteriormente foi compilado por seus discípulos diretos, e estas inscrições iniciais das palavras dos mestres serviram de base para a criação das grandes religiões do mundo. Na Índia, tivemos a figura de Siddharta, que incorporou o título de Buda, o ”iluminado” ou “aquele que despertou”. No Zoroastrismo, também chamado na antiguidade de culto do fogo, surgiu Zoroastro, e posteriormente foi fundado o Zoroastrismo. No Cristianismo, o ocidente tem Jesus como a figura central e como o líder que inspirou a criação de inúmeras Igrejas e credos, que buscam interpretar seus ensinamentos de diferentes formas. Além destes, temos Krishna para o Hinduismo, Nanak para o Sikhismo, Maomé para o Islamismo, e assim por diante.

Porém, nem sempre o mestre fica conhecido como iniciador de uma religião. Temos por exemplo, Shankaracharya, Ramana Maharshi, Aurobindo, Ramakhishna, Yogananda, Vivekananda, e outros, que não estão necessariamente vinculados a uma religião, mas que com sua obra e exemplo de vida deram contribuições significativas que influenciaram, não apenas as religiões, mas também outros segmentos da existência humana.

Um mestre pode ser um indivíduo dotado de um conhecimento considerável sobre alguma atividade humana. Pode ser um Mestre das artes, como Da Vinci, Leonardo, Michelangelo, Beethoven, Mozart, etc. Pode ser um gênio da literatura, como Goethe, Dante, Victor Hugo. Pode ser um profundo conhecedor e revolucionário de um campo de pesquisa cientifica como John Dalton, Lavoisier, Newton, Galileu, Kepler, Kuhn, Heisenberg, Einstein, etc. Pode ser um grande líder social como Martin Luther King, Nelson Mandela, Gandhi. Também é possível que seja uma pessoa dotada de um profundo amor pela humanidade e por todos os seres viventes, como São Francisco de Assis, Madre Tereza, Irmã Dulce, Padre Pio, etc.

Cada um destes seres atingiu a maestria de certas potencialidades dentro de um espectro específico de vivência e foram pessoas dotadas de capacidades internas que ultrapassavam o comum e o ordinário de sua sociedade e época. Em cada campo de atuação, eles conseguiram atingir uma expressão de seu potencial que os aproxima de determinados “arquétipos” essenciais, que correspondem a estruturas e níveis profundos de consciência do ser. Em outras palavras, eles peregrinaram por caminhos determinados e alguns conseguiram alcançar o domínio de sua natureza superior através de um tipo de atividade ou de conhecimento.

No entanto, embora reconheçamos que o Mestre pode seguir por qualquer desses caminhos e todas estas trajetórias podem leva-lo a expressão profunda do potencial de seu ser, consideramos o mestre como aquele que já detém o controle sobre as leis naturais que governam este mundo. No passado, estes seres excepcionais foram chamados de deuses, anjos, devas, sábios, mestres, santos, etc. Nesse sentido, a humanidade sempre conviveu com este arquétipo e, como todo arquétipo, o mestre faz parte de um tema ou estrutura universal que existe também no interior do ser humano, como presença essencial. Na Terapia de Vidas Passadas, um dos nossos objetivos é pedir o auxílio do Mestre, para que tudo corra bem e o processo possa fluir com a naturalidade que lhe é inerente. Para que isso ocorre, é preciso que as forças internas e universais que residem no núcleo humano sejam despertadas durante o processo. Assim, poderemos invocar o arquétipo do “Mestre Interior”, que está guardado dentro de cada um, esperando ser novamente despertado.

É possível que a verdadeira natureza do Mestre Interior seja algo incompreensível para nós, e que apenas possamos compreende-la quando permitirmos que este Mestre se expresse. Alguns profissionais de TVP debatem a respeito da verdadeira natureza e origem do Mestre. De um lado, bem mais numeroso, temos um segmento que propõem ser o Mestre a manifestação de uma entidade espiritual. Seria como um mentor, um guia, um espírito de luz, que vêm de alguma parte do mundo espiritual contribuindo para que tudo corra bem na indução à regressão de memória. Outro segmento, de algumas correntes espiritualistas e também de autores como Pat Rowe Corrington e outros, em contrapartida, defendem a idéia de que o Mestre é apenas uma projeção de nossa consciência mais profunda, ou seja, o Mestre seria uma faceta objetivada de nossa consciência mais essencial, ligada a uma realidade divina presente em cada um de nós. O Mestre, nesse sentido, não é uma entidade que está fora de nós, ou um guia ou guardião que existe no mundo espiritual e aparece na sessão quando é invocado. Segundo essa visão, todos nós somos um “Mestre em potencial”, e em estado alterado de consciência, esse Mestre se manifesta a nós e é parte integrante de nosso tratamento, visando a cura de nossos níveis físicos, emocionais, mentais e espirituais.

Esse dualismo do “Mestre de Dentro” versus o “Mestre de Fora” é interessante de ser observado. É certo que todo o dualismo que os seres humanos criaram, como dia e noite, bem e mal, alto e baixo, direita e esquerda, são sempre partes de um mesmo processo, de modo que não podemos imaginar o alto sem o baixo, o dia sem a noite, a direita sem a esquerda, e assim por diante. No caso do Mestre, os propositores de cada uma das posições incorrem no mesmo erro que qualquer dos dualismos. Fazer uma parte do processo prevalecer sobre o todo. Considerar que o Mestre pode estar “fora” seria rejeitar a priori um potencial inerente de cura, que todos possuímos e que inclusive os próprios terapeutas de regressão concordam que existe. Defender a posição única de um Mestre que esteja apenas “dentro” seria negar que muitas vezes a ajuda que precisamos pode vir de fora, pois afinal nossa mente objetiva tem limites e necessitamos de um “algo mais” que pode não estar disponível num dado momento e pode ser originário de energias extra-físicas que nos queiram bem e desejem nos ajudar.

Alguns terapeutas procuram solucionar esse dualismo de diversas formas. Alguns dizem que o Mestre Interior seria ajudado pelos espíritos de luz e que estes seres teriam a missão de purificar a energia do paciente para que este mergulhasse mais profundamente em seu interior, atingindo assim a cura de seus males. Outros dizem que a espiritualidade superior abre a consciência do discípulo para que ele descubra o próprio Mestre que já existe nele. Embora essas concepções sejam mais bem elaboradas que a mera oposição das idéias e levem em consideram a totalidade do processo, ainda lhes falta uma idéia fundamental. Que idéia seria essa? A consciência de que, o mestre, mentor ou guia espiritual possui um despertar de sua natureza divina, e que essa natureza divina é a mesma natureza que se encontra no núcleo mais profundo de cada um nós, porém nossa personalidade inferior ainda está separada dessa essência.

Obviamente, não defendemos que todas as entidades espirituais que se manifestam durante as sessões de TVP sejam apenas um produto de nosso Mestre Interior. Tampouco defendemos que necessitamos sempre destas entidades e que não possuímos um mecanismo natural de cura e uma sabedoria divina inerente ao nosso ser. Porém, num nível atemporal e inespacial, onde tudo se confunde numa mesma essência, esses dualismos não fazem mais sentido e quando nos concentramos mais em um, podemos perder a noção do outro que lhe é complementar. Nesse sentido, o “Mestre de Dentro” e o “Mestre de Fora” são faces diferentes de uma mesma realidade, que em ultima instância, não conhece o mundo dos opostos.

Como seria então a invocação do Mestre na TVP- Terapia de Vidas Passadas? Alguns terapeutas, como Mauro Kwitko, Osvaldo Shimoda e outros, optaram por utilizar o Mestre como técnica central da Terapia. Outros, no entanto, a utilizam apenas em momentos específicos. Mauro Kwitko, médico e terapeuta de vidas passadas, criou uma nova abordagem da TVP, que ele denominou de “Psicoterapia Reencarnacionista”. Esta corrente entende que ninguém poderia guiar a regressão de memória senão um Mestre Espiritual, que eles chamam de “Mentor”. Apenas o Mentor pode conhecer as necessidades do cliente e só ele pode saber que tipo de conteúdos a pessoa estaria apta a suportar. Segundo ele, é possível que muitos indivíduos durante a regressão possam entrar em contato com encarnações em que atravessaram situações muito dolorosas, e o nosso ego não seria capaz de assimilar estas experiências, pela grande carga emocional que seria liberada à consciência de uma só vez.

Assim, Kwitko ensina um método que consiste apenas no relaxamento e invocação do mentor, e nessa linha, o terapeuta não precisa guiar o processo, pois este já será orientado pelo próprio mentor. Kwitko se enquadra então na posição do “Mestre de Fora” ensinando que um relaxamento e uma oração anterior pedindo a presença do mentor já são suficientes. Embora essa abordagem tenha pontos positivos e respeitemos muito o trabalho de Kwitko, acreditamos que o Mestre deve apenas participar do processo, mas não ser seu personagem principal. Em primeiro lugar, existem mecanismos de defesa naturais que pertencem a nossa consciência e que impedem que determinados conteúdos recheados de muita emoção aflorem à mente. Assim, não é apenas o mentor que pode determinar o que pode ou não pode ser visto. É possível que por detrás dessa abordagem exista uma crença na supremacia do mestre externo sobre o mestre interno e assim, toda a carga da responsabilidade seria depositada no mentor, pois se acredita que nossa consciência não poderia sozinha regular e peneirar aquilo que a atravessa. Por outro lado, essa metodologia acaba por deslocar o terapeuta do lugar em que ele se propõe atuar, fazendo dele um mero expectador diante de todo um espetáculo que se descortina em sua frente. Dessa forma, os terapeutas poderiam acreditar que não seria necessário se qualificarem devidamente para exercer seu trabalho, pois se o mentor é um “faz-tudo”, então para que a maior especialização? Assim, pensamos que o Mestre pode ser encarado como um auxiliar, um guia, uma sabedoria que se coloca a nossa disposição, mas jamais como a figura principal da Terapia.

Dentro da parte prática, o terapeuta utiliza o método de indução que geralmente trabalha. Depois da indução, ele pode chamar a presença do Mestre. Isso pode ser feito de várias formas. O Terapeuta pode apenas dizer “vamos agora chamando o seu Mestre para ajudar na regressão”. Ninguém deve se preocupar em fazer corretamente a invocação, basta apenas pedir de alguma forma que o mestre esteja presente ao setting terapêutico. Nesse caso, a intenção e disposição em ajudar o próximo, assim como o amor pelo trabalho que se faz, são os ingredientes fundamentais para que tudo corra bem.

Após a invocação, o terapeuta pode perguntar ao cliente se o Mestre é homem ou mulher. Pode perguntar também qual nome o Mestre se apresenta. Pedimos então ao cliente para definir o rosto do Mestre, sua roupa, a cor da roupa, o tipo físico, a cor dos olhos, etc. Essa fase é importante, pois quanto mais vívidos estiverem esses detalhes, maior será a interação com o Mestre. Muitas vezes, não é o cliente quem escolhe a forma do mestre. A intuição e a sensibilidade nesse momento já devem estar suficientemente afloradas para se captar aquilo que nos vem à mente. Porem, a forma que o mestre se apresenta, ou que foi criado por nós não tem tanta importância. No entanto, é recomendável que antes de realizar a invocação, o terapeuta faça uma sondagem com o cliente para verificar qual as crenças que ele possui. Se for um cristão, provavelmente pode escolher Jesus como seu mestre. Se for budista, poderá escolher Buda. Se for judeu, Moisés, e assim por diante. O importante é que seja uma figura simbólica que o cliente identifique como um personagem de sabedoria, e que seja suficientemente inspiradora, pois quanto mais inspirador, mais o cliente vai interagir com o plano mental no qual o Mestre atua.

Algumas pessoas podem ficar emocionadas ao entrar em contato com o Mestre. Podem chorar e ter reações emocionais diversas. Outras podem sentir uma aura de muita paz e amor universal a envolvendo e isso pode elevar sua vibração naquele momento e facilitar estado de ondas alfa e a regressão. Outros podem ver o mestre como luzes branca ou coloridas, que giram ou permanecem paradas. Algumas pessoas apenas sentem uma energia ou tem alguma visão rápida. Outros ainda podem ver apenas os olhos, ou então entrar em contato com o mestre mas não ver seu rosto. As percepções de cada pessoa serão muito pessoais e singulares, mas todos devem, de alguma forma, interagir com uma energia e consciência mais profunda e elevada. Porém, algumas pessoas podem não perceber que estabeleceram a conexão psíquica com o Mestre, embora esse contato tenha ocorrido num plano mais sutil. Mesmo sabendo que a pessoa sempre tira algo positivo da experiência, ela pode não se dar conta disso. Às vezes, pode emergir uma sabedoria que a pessoa pode não reconhecer como sendo dela mesma. Isso, sem dúvida, é fruto do elo mental estabelecido. A presença do Mestre deve fazer a pessoa sentir-se bem e confiante para a regressão, transmitindo a impressão de que ela estará protegida ao longo do percurso.

Depois deste contato inicial, o terapeuta pode abrir uma brecha e perguntar ao mestre se ele tem algo a dizer. Isso pode ser feito tanto no início como no final da regressão. Geralmente, o Mestre fala sobre alguns pontos da condução regressiva que podem ser aplicados para que o procedimento siga com mais fluidez e serenidade. Algumas revelações sobre como obter a cura do cliente também podem constar em seu discurso. O importante é dar esse espaço para o mestre se manifestar, no início da sessão e ao seu término.

Depois de estreitar os laços da conexão vibratória, o Mestre pode conduzir o cliente para suas vidas passadas. Além do Mestre, é possível que outras entidades espirituais também se manifestem na sessão e sejam visualizadas pela pessoa. Neste caso, elas podem ajudar nos trabalhos em que o cliente se depare com alguma “presença”, “energia intrusa” ou ainda, como é chamado “espírito obsessor”, dentro de uma “possessão espiritual”. Neste caso, existe uma série de procedimentos que podem ser levados a cabo pelo terapeuta visando um resgate dessa consciência extrafísica. Em outro tema, daremos os passos mais básicos que podem ser seguidos e procuraremos transmitir um conhecimento elementar sobre a natureza desse contato e qual deve ser a postura do terapeuta.

Além destes aspectos, o mestre também pode realizar uma purificação na aura do cliente e essa limpeza pode ajuda-lo a passar pelo processo de uma forma mais suave, sem que energias intrusas possam obstruir as tentativas de aplicação das técnicas. O mestre ainda pode chamar a atenção do cliente sobre algumas facetas de sua personalidade que devam ser trabalhadas e transmutadas. É também possível que certas questões e problemáticas que a pessoa sempre buscou resolver possam ser apreciadas numa reflexão realizada em conjunto com o Mestre.

Recomendamos que as pessoas comuns não busquem um contato com o mentor sem o devido preparo, pois essa experiência poderia estar fora de contexto e causar alguma espécie de confusão mental as pessoas que realizam essa experiência sem uma utilidade bem intencionada, apenas para satisfazer sua curiosidade. Essa experiência faz parte um contexto terapêutico que apenas pode ser reproduzido por pessoas mais experimentas em meditação, como experiência espontânea e dentro da proteção de uma egrégora de luz. Assim, a técnica do mestre se constitui como ferramenta de grande valor terapêutico para a TVP-Regressão.

 

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